Superstições

SUPERSTIÇÃO nasceu com o homem, quando ele atingiu a faixa etária do discernimento. Encontra-se mais desenvolvida nas camadas sociais inferiores, onde o nível cultural é de qualidade mais baixa. Não obstante isso, acha-se também entre os intelectuais e os sábios, não raras vezes com maior intensidade.

Poderá ser definida como sentimento de veneração ou de repulsa, com respaldo no temor e na ignorância dos fatos e fenômenos. Suas consequências mais aproximadas estão no cumprimento de deveres estranhos e falsos ou na adesão da crença a objetos e ocorrências, embora de modo infrutífero. Mas, como em grande parte das vezes a SUPERSTIÇÃO se casa com a coincidência dos fatos, o supersticioso torna-se cada vez mais apegado às suas ideias.

SUPERSTIÇÃO arrasta as pessoas à prática de atos indevidos, absurdos, ridículos e contrários ao bom senso e à razão bem formada. Por seu intermédio atribui-se a certas práticas uma espécie de poder mágico ou pelo menos eficácia sem fundamento. No dizer de Bacon, ela forja os ídolos do vulgo, os gênios invisíveis, os duendes, as bruxas e os vampiros.

Há pessoas com horror ao número 13. Vêem-no como fatos de infelicidade. Não alugam casa de n° 13, não dormem em quarto com esse número, não se sentam em cadeira 13, não fazem negócio no dia 13. Nos edifícios de sua propriedade, o andar 13° toma o número 14°. Fundamentam-se em que Jesus Cristo se sentou à Mesa Eucarística com 12 apóstolos. Por serem ao todo 13 pessoas, Cristo foi crucificado e morto. E Judas suicidou-se, enforcando-se.

Para muitos, o pombo é ave agourenta: Quando foge do pombal, ocorre desgraça no seio da família do dono.
Ora, o pombo é guloso. Quando há alguma preocupação na casa, enfermidade, morte ou outro evento triste, os pombos são esquecidos. Diante da forma, eles abandonam o pombal e vão buscar alimento noutro lugar.
Sem fundamento, pois essa SUPERSTIÇÃO. O fato desagradável verifica-se antes de os pombos baterem em retirada. A desgraça da família é que determina a fuga dessas aves.

Sob o ponto de vista religioso, a SUPERSTIÇÃO é considerada caricatura da oração. Em vez de dialogar com Deus por meio da prece, o supersticioso procura diálogo, pela SUPERSTIÇÃO, com formas obscuras, inexistentes. O resultado é desastroso. Em lugar de paz, que a oração proporciona, a SUPERSTIÇÃO dá desequilíbrio e angústia.
O supersticioso obedece a ritos, atende a fórmulas rigorosas traçadas pelo homem, tais como as conhecidas correntes de oração, corrente de Santo Antônio, a devoção às 13 almas benditas, as preces enroladas em um papel e conduzidas no pescoço, as novenas de hora em hora.

Estão outrossim neste contexto as chamadas missas gregorianas, isto é, a celebração de missas durante trinta dias seguidos. Como afirma o teólogo católico Bernardo Haring, “elas podem dar nascimento à exageração supersticiosa do valor numérico e da continuidade em série, embora tal confiança invoque a seu favor pretensa revelação recebida de São Gregório Magno. Devido a esse perigo e à fraca base histórica da aludida promessa feita ao Santo, não merecem as missas gregorianas ser fomentadas entre os fiéis.??? (Ver a LEI DE CRISTO, tomo II, página 324).

O Concilio de Trento, na segunda sessão, fez advertência aos bispos para evitarem o culto cristão invadido pelos atos supersticiosos, como determinado número de missas ou de velas. Evidentemente, não se deve confundir prática religiosa e ato de piedade com atos viciados pela SUPERSTIÇÃO. Esta é fruto da ignorância, quando não resulta de enfermidade psíquica.

(ESPÍNDOLA, Itamar de Santiago. No Mundo das Excentricidades. Fortaleza/Ce. Gráfica Editorial Cearense Ltda. – GRECEL.)

Então vamos ver algumas superstições?